Torres Novas

 

Localização

torres-novasO município de Torres Novas agrega dez freguesias localizadas na Região Centro (NUTS II) e sub-região do Médio Tejo (NUTS III). O concelho é habitado por 36.717 torrejanos numa área total de 270,0 km2 caracterizada pela coexistência da formação calcária da Serra de Aire e das várzeas do rio Almonda, que se alargam em lezírias na confluência com o Tejo.

A nível concelhio faz fronteira com Tomar (norte e nordeste), Ourém (norte e noroeste), Entroncamento e Vila Nova da Barquinha (este), Golegã e Santarém (sul) e Alcanena (oeste).

Sede do município (coordenadas GPS, WGS84 Datum)

    • DDD (graus decimais): 39.4801, -8.5394
    • DMM (graus e minutos decimais): 39º28.8008', -8º32.3592'
    • DMS (graus, minutos e segundos): 39º28'48.1229'', -8º32'21.5431''

História

A região revelou-se apelativa desde tempos longínquos, tendo o homem deixado marcas da sua presença desde o Paleolítico em locais situados na orla da rede cársica do rio Almonda, como as grutas de Buraca da Moura e da Oliveira ou a Lapa da Bugalheira.

Mais tarde, nos primórdios do domínio romano, Cardílio e Avita tornaram-se proprietários de uma das diversas “villae” existentes na zona, a Vila Cardílio, que seria classificada como Monumento Nacional em 1967. Esta vila lusitano-romana foi habitada nos séculos I a IV d.C. e entre as suas ruínas recuperaram-se painéis de mosaicos coloridos, moedas, esculturas, a par da inscrição latina que numa interpretação deseja felicidades ao casal na sua “villa da torre”, expressão associada a uma origem plausível do topónimo Torres Novas.

A partir do século XII, o território então conhecido por Turris começou a ganhar os seus contornos atuais, com a expulsão dos invasores árabes pelas tropas de D. Afonso Henriques (1148) e a fundação do concelho no foral atribuído a 1 de outubro de 1190 por D. Sancho I. O castelo, que entretanto ficara em ruínas, foi reconstruído por ordem deste soberano e, mais tarde, por D. Fernando I na sequência das guerras travadas com os reis de Castela. A fortificação resistiu ao tempo e apenas seria alvo de novo programa de reconstrução seis séculos depois, altura em que já detinha a classificação de Monumento Nacional, atribuída em 1910.

No decurso da Idade Média, a área circundante conheceu um forte crescimento demográfico e económico, recebendo a Carta de Feira no ano de 1263 e passando a pertencer aos domínios da rainha Santa Isabel de Aragão em 1304, por doação do marido, o rei D. Dinis. Nos séculos seguintes, afirmar-se-ia como local de reunião das cortes e de momentos históricos, como o juramento do casamento entre os infantes D. Beatriz e D. Henrique, filhos de D. Fernando I e D. João I de Castela (1380), o estabelecimento da regência de D. Leonor de Aragão, devido ao falecimento do esposo D. Duarte I e a menoridade do filho D. Afonso V (1438) e a decisão de se realizarem as Cortes com intervalos de uma década de modo a gerar proximidade entre os reis e os seus súbditos (1525).

A vila teve D. Isabel de Avis como donatária na primeira metade do século XV e recebeu novo foral no reinado de D. Manuel I (1510). Na década seguinte, D. João de Lencastre passaria a deter o título de primeiro Marquês de Torres Novas, juntamente com o de duque de Aveiro, ambos extintos em 1759 por sentença devido à suposta implicação de D. José Mascarenhas da Silva e Lencastre na tentativa de regicídio de D. José I. O monarca sobreviveu e seria a sua filha, rainha D. Maria I, a conceder licença a Henrique Meuron e David Suabe para instalarem a Fábrica das Chitas (1783), destruída pelas tropas do general Massena na terceira invasão francesa (1810).

O tecido económico desenvolveu-se ao longo do século XIX e entre os casos de maior sucesso encontram-se a fundação da Fábrica de Papel do Almonda (1818), a constituição da Companhia de Fiação de Torres Novas (1845), bem como a criação da transportadora João Clara & Companhia (Irmãos) Lda. que, à data da sua nacionalização (1975) se denominava Clara Transportes - S.A.R.L. e acumulava a maior cota de mercado no país com a segunda maior na Península Ibérica.

A inauguração da linha ferroviária de Torres Novas a Alcanena em 1893, por seu lado, protagonizou um dos episódios mais curiosos e atribulados na história empresarial da região. O “Comboio Menino”, assim apelidado devido à dimensão reduzida da composição, era concessionado pela Companhia de Caminhos de Ferro de Torres Novas a Alcanena - S.A.R.L. (pertença do Barão de Matosinhos) e circulava, na maioria do percurso, por uma via de bitola estreita assente sobre estradas. Os múltiplos descarrilamentos granjearam-lhe uma segunda denominação, a de “Rata Cega”, e contribuiriam para o encerramento da linha três anos após a sua criação. O século XX chegou entretanto e a memória dos trilhos da via-férrea foi-se diluindo na crescente afirmação regional do concelho que determinou a elevação de Torres Novas a cidade no ano de 1985.

Freguesias

A cidade de Torres Novas acolhe a sede deste concelho que integra as freguesias de Assentis, Chancelaria, Meia Via, Pedrógão, Riachos (vila), União das Freguesias de Brogueira, Parceiros de Igreja e Alcorochel, União das Freguesias de Olaia e Paço, União das Freguesias de Torres Novas (Santa Maria, Salvador e Santiago), União das Freguesias de Torres Novas (São Pedro), Lapas e Ribeira Branca e, por fim, Zibreira. As idades da generalidade da população nas dez freguesias situam-se na faixa etária dos 25 aos 64 anos.

A União das Freguesias de Torres Novas (São Pedro), Lapas e Ribeira Branca concentra o número mais significativo de habitantes, superando os 8.400, e contrasta com os pouco mais de 1.000 registados na freguesia de Zibreira. A maior circunscrição do município supera os 40 km2 e pertence à União das Freguesias de Torres Novas (Santa Maria, Salvador e Santiago), por oposição aos cerca de 4 km2 da freguesia de Meia Via. A pequena dimensão desta última contribui para que detenha uma densidade populacional elevada, acima dos 395 habitantes por km2 e oito vezes superior ao valor mais baixo do concelho, pertencente à freguesia de Chancelaria.

Áreas de Especialização

As áreas de especialização produtiva com maior relevo municipal pertencem às indústrias transformadoras da madeira (destaque para o papel, além do fabrico de mobiliário, serração e carpintaria), agroalimentar (relevância do azeite), metalúrgica e metalomecânica (materiais de transporte), têxteis, materiais de construção, a par dos serviços nas áreas dos transportes de pessoas e mercadorias.

As sociedades e empresas do concelho destacam-se no setor do comércio por grosso e a retalho, sendo seguidas pelas prestadoras de serviços de consultoria, técnicos e similares e pelas ligadas às atividades de construção. A população empregada apresenta valores com uma tendência similar, na qual se salientam os setores terciário e secundário, acima dos 70% e dos 25%, respetivamente. O setor primário não ultrapassa 1,7% dos cerca de 15.000 trabalhadores no concelho e as explorações agrícolas representam aproximadamente 15% do total registado no Médio Tejo.

Pontos de Interesse Turístico

Torres Novas é um concelho que convida a...

CULTURA

    • visitar a exposição do Museu Municipal Carlos Reis, que engloba um núcleo de telas naturalistas deste pintor torrejano, artefactos arqueológicos e arte sacra, com ênfase na pintura quinhentista
    • consultar obras literárias de eleição na Biblioteca Municipal Gustavo Pinto Lopes
    • aplaudir ilustres artistas na sala principal do Teatro Virgínia, dançar numa dj session do Café Concerto ou assistir a uma peça teatral no Teatro Maria Noémia

    • confirmar a magnitude do edifício secular onde existiu o convento quinhentista de S. Gregório Magno, que inclui a Igreja de Nossa Senhora do Carmo e serviu como hospital nos séculos XIX e XX
    • apreciar as esculturas nas igrejas da Misericórdia e Nossa Senhora da Graça, a entrada românica na Capela do Vale, as abóbodas nas igrejas do Salvador e S. Pedro, o revestimento azulejar na Igreja de Nossa Senhora da Conceição e Capela de Santa Ana/Vargos e a talha dourada na Igreja de Sant’Iago
    • parar junto da cerca do antigo Convento de Santo António e sentir a serenidade que envolve a atual “Casa dos Arrábidos”

HISTÓRIA

    • subir ao castelo de onze torres com origens árabes e contemplar a vista panorâmica sobre o rio Almonda e a Serra de Aire
    • surpreender-se com os pavimentos de “tessellae” (mosaicos romanos) nas ruínas da Vila Cardílio
    • comprovar a imponência e antiguidade da Casa Mogo de Melo, edificada por esta família de renome, antigo colégio das Irmãs Teresianas e atual Museu Municipal
    • aprofundar o conhecimento sobre a luta pela liberdade em Portugal na Casa Memorial Humberto Delgado durante um passeio ao Boquilobo, aldeia natal do “General sem Medo”
    • recordar as raízes rurais da população no Museu Agrícola dos Riachos

LAZER

    • admirar as pegadas milenares deixadas pelos saurópodes no Monumento Natural das Pegadas dos Dinossáurios de Ourém e Torres Novas
    • descobrir Pedrógão, uma aldeia em harmonia com a natureza no sopé da Serra de Aire
    • conhecer a tradição da moagem artesanal e o conforto dos Moinhos da Pena
    • sentir o vigor do Açude Real, outrora força motriz de moinhos, lagares e fábricas
    • entrar num conto de fadas tendo por cenário as Quintas do Marquês e da Rainha
    • descontrair no jardim das Rosas, na avenida marginal ao rio Almonda ou numa esplanada da Praça 5 de Outubro

NATUREZA

    • explorar a gruta da nascente do rio Almonda, um deleite para os amantes da espeleologia
    • seguir os trilhos de BTT e as rotas pedestres no Parque Natural das Serras de Aires e Candeeiros
    • observar aves na Reserva do Paul do Boquilobo, que integra a rede mundial de reservas da biosfera (UNESCO) e a lista de zonas húmidas de importância internacional
    • percorrer as galerias labirínticas escavadas na rocha que formam as Grutas de Lapas

Em suma, explorar Torres Novas é sonhar acordado em castelos e palácios, subir ao topo da serra e pernoitar num moinho de vento, estimular a mente com diversas formas de arte, seguir rastos jurássicos de dinossauros e aventurar-se em grutas e labirintos do subsolo por uma doce recompensa, os intemporais Figos de Torres Novas. O património classificado no concelho tem maior incidência nos primórdios da ocupação humana (pré-histórica e romana) e na devoção religiosa (templos de oração e recolhimento.


Quer conhecer melhor este concelho e a região do Médio Tejo?

Poderá fazê-lo durante a sua visita à Biblioteca Municipal Gustavo Pinto Lopes, no espaço virtual PACAD - Programa de Animação Científica Artística Digital (parceria CIMT/Câmara Municipal de Torres Novas).

Principais Festividades

Ao longo do ano, o concelho celebra e partilha a sua identidade:

CRIATIVA

valorizando as artes performativas no Festival Materiais Diversos (setembro)

GASTRONÓMICA

na Feira Nacional dos Frutos Secos (outubro) e no Festival do Arroz Doce e Doçaria Tradicional (novembro/dezembro)

HISTÓRICA

com uma viagem no tempo durante a Feira Medieval (maio)

RELIGIOSA

organizando as festas em honra de Santo António (junho), a célebre Festa da Bênção do Gado de Riachos (quadrienal, julho), a Festa do Espírito Santo (domingo de Pentecostes) e diversas festividades sagradas nas diversas freguesias

TRADICIONAL

ao relembrar os costumes populares do São Martinho no Festival da Água-pé (outubro/novembro)


FONTES

CIMT - Portal do Empreendedor, Fundação Francisco Manuel dos Santos (PORDATA – Base de Dados Portugal Contemporâneo), IGESPAR - Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico, IGP - Instituto Geográfico Português (CAOP), INE – Instituto Nacional de Estatística (Censos 2011 e Recenseamento Geral da Agricultura 2009), Reorganização Administrativa de Freguesias (Lei n.º 11-A/2013 de 28 de janeiro), sites institucionais dos municípios associados e respetivas juntas de freguesia - informação recolhida em setembro de 2013.

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