Sardoal

 

Localização

sardoal-2O Sardoal estende-se por uma área de 92,1 km2, integrando as unidades territoriais da região Centro (NUTS II) e sub-região do Médio Tejo (NUTS III). As quatro freguesias que constituem o município são habitadas por 3.941 sardoalenses e apresentam paisagens predominantemente florestais, com características que oscilam entre as lezírias ribatejanas e os terrenos montanhosos das serras beirãs.

A nível concelhio é limitado por Vila de Rei (norte), Mação (este) e Abrantes (sul e oeste).

Sede do município (coordenadas GPS, WGS84 Datum)

    • DDD (graus decimais): 39.5347, -8.1614
    • DMM (graus e minutos decimais): 39º32.1825', -8º9.6896'
    • DMS (graus, minutos e segundos): 39º32'04.7170'', -8º09'40.9875''

História

O território cujo topónimo é associado ao sardão (Lacerta lepida), o maior lagarto da Península Ibérica, teve ocupação humana desde a Pré-História e entre os vestígios arqueológicos mais antigos encontra-se o povoado do Castelo de Vale das Mós, que terá surgido no final da Idade do Bronze/início da Idade do Ferro.

Durante o período em que integrou a Lusitânia romana, mais especificamente no século III, a zona de Valhascos foi eleita como esconderijo para duzentas moedas (antoninianos) e o local viria a revelar-se eficaz na medida em que o tesouro foi descoberto apenas dezasseis séculos mais tarde (1889). A peugada do povo árabe, por seu lado, é imaterial e consiste na denominação “Al karavan”, que evoluiu para Alcaravela, nome de uma freguesia do atual município.

Os reis portugueses incluíram a região nas suas viagens ao longo dos séculos que intercalaram a atribuição do primeiro foral, outorgado pela rainha Santa Isabel de Aragão durante o reinado de D. Dinis (1313), e a elevação do Sardoal a vila com termo independente de Abrantes por D. João III (1531/32). O pelourinho surgiu nessa altura na praça anexa aos Paços do Concelho, atual Praça da República, tendo sido substituído por uma réplica no ano seguinte à sua classificação como Imóvel de Interesse Público (1933).

A Capela do Sagrado Coração de Jesus, que ladeia o arco triunfal da Igreja Matriz do Sardoal, recebia então as sete tábuas de madeira de carvalho pintadas a óleo por Vicente Gil e Manuel Vicente, cuja oficina era muito apreciada pela corte. O trabalho destes artistas de Coimbra foi encomendado pela família Almeida, detentora do título nobiliárquico de Conde de Abrantes e Senhor de Sardoal entre os anos 1476 e 1650, tendo ficado conhecido por retábulo do Mestre do Sardoal.

A Santa Casa e a Igreja da Misericórdia foram fundadas no mesmo período (1509 e 1511), poucos anos antes de Gil Vicente levar a cena a “Farsa do Juiz da Beira” (1525) e “A Tragicomédia Pastoril da Serra da Estrella” (1527), dois autos que exaltavam o temperamento festivo dos sardoalenses. Um dos diálogos da última peça, que ocorre entre a serra e o folião Lopo, foi imortalizado por Gabriel Constant no painel cerâmico colocado em 1934 numa parede exterior da Capela do Espírito Santo.

Na segunda metade do século era fundado o Convento de Santa Maria da Caridade dos Franciscanos Menores da Província da Soledade, cujo padroado pertenceu a D. Gaspar Barata de Mendonça, primeiro arcebispo da Baía (1676) e membro da família influente que mandou edificar o solar de arquitetura barroca conhecido por Casa Grande ou Casa dos Almeidas, provavelmente construído sobre uma antiga residência dos Condes de Abrantes.

A capela-mor da igreja matriz da vila foi sujeita a obras de remodelação durante a época barroca portuguesa (finais do século XVI/meados do século XVIII), salientando-se o revestimento das paredes laterais com dois painéis de azulejo azul e branco, da autoria de Gabriel del Barco (1701). A igreja matriz e respetivo recheio, entre o qual também se salienta o retábulo joanino de talha dourada, foram classificados como Imóvel de Interesse Público em 1930.

Os exércitos dos generais Junot e Massena provocaram marcas profundas de vandalismo nesta região durante a primeira e terceira invasões francesas (1807 e 1810/11), respetivamente. No entanto, o concelho recuperou dos saques e da profanação dos templos religiosos com o carisma das personagens criadas por Gil Vicente, ostentando desde o século XX a designação de “Vila Jardim”.

Freguesias

O concelho encontra-se sedeado na vila de Sardoal e é constituído pelas freguesias de Alcaravela, Santiago de Montalegre, Sardoal e Valhascos. Entre a população residente destaca-se a faixa etária dos 25 aos 64 anos, que engloba cerca de metade dos habitantes.

O território divide-se em quatro freguesias, cujas dimensões oscilam entre os 37 km2 de Alcaravela, superior a um terço da área municipal, e pouco acima dos 8 km2 de Valhascos. A freguesia de Sardoal excede 60% do total de habitantes e apresenta uma densidade populacional próxima dos 90 habitantes por km2, contrastando com os valores demográficos na freguesia de Santiago de Montalegre, que acolhe 6% da população e não ultrapassa os 13,5 habitantes por km2.

Áreas de Especialização

A ampla mancha florestal existente no município, em que se destaca o pinhal, propiciou o surgimento e especialização de atividades económicas relacionadas com a exploração florestal, a indústria da madeira (serração e carpintaria, fabrico de mobiliário e papel), a agricultura e o comércio.

Quase 40% das sociedades e empresas constituídas no Sardoal dedicam-se ao comércio por grosso e a retalho e à construção, seguidas pelas indústrias transformadoras, que ultrapassam os 12%. Uma percentagem significativa da população encontra-se empregada no setor dos serviços (terciário), mais de 70%, e cerca de um quarto trabalha no setor secundário. O setor primário carateriza-se pela predominância de explorações agrícolas com dimensões entre um e cinco hectares e abrange menos de 3% da população empregada.

Pontos de Interesse Turístico

Sardoal é um concelho que convida a...

CULTURA

    • assistir ou participar numa das inúmeras atividades culturais, recreativas e pedagógicas realizadas no Centro Cultural Gil Vicente
    • aprofundar os conhecimentos sobre a história local, consultando as obras dedicadas ao tema na Biblioteca Municipal

    • surpreender-se com uma capela encastrada na rocha, erigida em honra de Nossa Senhora da Lapa
    • redescobrir o silêncio nos claustros e na igreja do Convento de Santa Maria da Caridade
    • apreciar as sete tábuas do retábulo seiscentista criado pelo Mestre do Sardoal e os painéis de azulejos de Gabriel del Barco na Igreja Matriz do Sardoal, dedicada a São Tiago e São Mateus
    • orar na Igreja da Misericórdia, resultante da ampliação de uma ermida do século XIV, cuja fachada se distingue pelo pórtico renascentista em pedra de Ançã, da autoria de João de Ruão
    • presenciar a devoção religiosa nas capelas de S. Sebastião, do Espírito Santo, de Nossa Senhora do Carmo, de Santa Catarina, de Santa Ana e de Nossa Senhora dos Remédios

HISTÓRIA

    • dar continuidade a um costume de tempos idos ao atravessar a Ponte Romana
    • contemplar os recantos do solar barroco denominado Casa Grande ou dos Almeidas
    • desvendar a quinta oitocentista do Valle da Louza, idealizada pelo cirurgião do reino Manoel Constâncio e local de refúgio do poeta Bocage
    • reconhecer o valor histórico da Cadeia Velha, situada no largo onde outrora foram edificados os Paços e o primeiro pelourinho

LAZER

    • deleitar-se com a beleza da paisagem circundante nos moinhos de Entrevinhas
    • explorar as vinhas e adegas na Quinta do Côro e Quinta Vale do Armo
    • fazer uma pausa num banco do jardim da Tapada da Torre
    • percorrer a Praça da República com paragem obrigatória junto do pelourinho e Paços do Concelho

NATUREZA

    • desfrutar da praia fluvial da Lapa, com as quedas de água no açude, o espelho de água da lagoa e o parque de merendas
    • apaixonar-se pelo cenário idílico da ribeira de Rosa Mana

Em suma, conhecer o Sardoal é usufruir das artes e da cultura, deixar-se levar pelas calçadas das ruelas, desvendar quintas e solares centenários, conhecer expressões de fé que oscilam entre a simplicidade da rocha e a opulência da talha dourada e relaxar em recantos verdes com o som da água e o sabor de uma Tigelada. Entre os diversos imóveis que constituem o património classificado do concelho evidenciam-se os templos religiosos e os edifícios históricos.


Quer conhecer melhor este concelho e a região do Médio Tejo?

Poderá fazê-lo durante a sua visita à Biblioteca Municipal, no espaço virtual PACAD - Programa de Animação Científica Artística Digital (parceria CIMT/Câmara Municipal de Sardoal).

Principais Festividades

Ao longo do ano, o concelho celebra e partilha a sua identidade:

CRIATIVA

com o extenso cartaz da Mostra de Teatro (novembro a maio)

DESPORTIVA

através da organização do Festival Hípico (setembro)

GASTRONÓMICA

pela realização da Feira Nacional do Fumeiro, Queijo e Pão (setembro)

HISTÓRICA

ao comemorar a elevação a vila nas Festas do Concelho (setembro)

RELIGIOSA

eternizada na Semana Santa, com a criação dos tapetes de flores e verduras naturais nas igrejas e capelas, a procissão dos Passos do Senhor (quinze dias que antecedem a Páscoa), a procissão noturna dos Fogaréus (quinta-feira Santa), o teatro de rua que recria a Paixão de Cristo e um mercado de época (sábado Santo), bem como a Festa do Espírito Santo/do Bodo (domingo de Pentecostes)

TRADICIONAL

divulgando usos e costumes com o Festival de Folclore de Alcaravela (maio) e valorizando o comércio de utilidades para o lar e a agricultura no Mercado de janeiro, na Feira da Primavera (maio), na Feira Mostra de Alcaravela (agosto) e na secular Feira de S. Simão/da Fossa, igualmente afamada pelos cereais e frutos secos (outubro)


FONTES

CIMT - Portal do Empreendedor, Fundação Francisco Manuel dos Santos (PORDATA – Base de Dados Portugal Contemporâneo), IGESPAR - Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico, IGP - Instituto Geográfico Português (CAOP), INE – Instituto Nacional de Estatística (Censos 2011 e Recenseamento Geral da Agricultura 2009), Reorganização Administrativa de Freguesias (Lei n.º 11-A/2013 de 28 de janeiro), sites institucionais dos municípios associados e respetivas juntas de freguesia - informação recolhida em setembro de 2013.

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